Para Manuel Tavares, director do jornal O JOGO, o sistema de comunicação social atravessa uma crise, provavelmente a maior crise da sociedade portuguesa e é necessário que se penalizem as empresas e os jornalistas que noticiam conteúdos falsos.
O director do jornal desportivo afirma que “toda a gente procura influenciar da pior maneira a opinião pública. São servidos pratos de informação pré-confeccionada. Estamos a passar por uma crise muito grande mas espero que passe…”
Quando questionado sobre qual a solução possível para ultrapassar esta crise comunicacional, Manuel Tavares considera que é importante que algo aconteça no plano da penalização das empresas e dos jornalistas em relação aos conteúdos falsos, que atentam contra a honra de pessoas ou que abatem investigações criminais. Para ele, é “inaceitável que haja gente condenada pelas rádios, pelas televisões, pelos jornais, antes de o serem pelos tribunais. Tem de haver uma solução, isto não é modo de vida. Os políticos, o jornalismo e os juízes vão ter de se entender sobre o que é o interesse e o bem público a preservar face ao exercício da liberdade de expressão.”
A profissionalização dos jornalistas é um assunto cada vez mais debatido em Portugal e as opiniões são divergentes. O administrador d’O JOGO considera que é essencial que haja uma profissionalização dos jornalistas pois estes não podem continuar reféns do pensamento dos enciclopedistas: “é o professor Marcelo Rebelo de Sousa que fala de tudo numa espécie de missa dominical no canal público de televisão, é o doutor Pacheco Pereira que semeia as suas doutrinas pelas televisões e jornais ditos de referência. Ora, eu não acredito que haja alguém capaz de falar de tudo quanto é assunto de actualidade porque as áreas a vida e da sociedade são cada vez mais complexas.”
É então importante que os jornalistas se especializem para poderem fazer análises mais profundas e não ficarem nas mãos dos gabinetes de comunicação e imagem. Para conseguirem opor-lhes perguntas mais conhecedores, mais inteligentes.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
O JOGO visto por Manuel Tavares

O JOGO é um dos principais diários desportivos do país. Além de ter edição online e de ter redacção no Porto e em Lisboa, o jornal desportivo tem ainda um suplemento ao fim de semana.
Para o administrador do periódico, o balanço d’O JOGO online “é bom na medida que não tem parado de crescer. Estamos a analisar a relação entre a edição impressa e edição on line que é uma das poucas que permanece totalmente aberta por ser a forma mais expedita de O JOGO chegar a casa dos emigrantes em tempo útil, sobretudo nos Estados Unidos.”
O JOGO tem duas edições: uma no Porto e outra em Lisboa. “Começamos por ter duas edições porque era impossível produzir no Porto e fazer o jornal chegar ao Algarve às sete da manhã. A partir desse dado, a nossa Redacção em Lisboa ganhou uma autonomia tal que hoje as duas edições são distintas no plano editorial.”
Apesar das duas edições, a forma de noticiar não difere muito de uma edição para a outra: “alterámos as primeiras páginas e o próprio alinhamento noticioso, mas isso não quer dizer que noticiemos de uma modo para o Norte e de outro para o Sul."
Quanto à revista J, esta surge como forma de pressão sobre os jornais generalistas. “Já que os jornais generalistas vieram para cima dos desportivos, nós resolvemos tomar a mesma atitude. Fomos buscar uma área que não é a da imprensa cor-de-rosa nem a de escândalos, mas encara o futebol e os outros desportos pelo lado charmoso.”
Os critérios editoriais d’O JOGO pautam-se pelo que os livros ensinam. Manuel Tavares afirma que notícia é notícia e opinião é opinião.
Outro critério editorial central é o do respeito pela vida privada das pessoas: “Não me parece que amantes de dirigentes políticos sejam matéria de interesse para os leitores de O JOGO.”
Um critério com tanta importância como os anteriormente referidos é o de que se alguém é acusado de algo, é preciso ouvi-lo antes de noticiar.
Também é um princípio editorial criar todas as condições para a igualdade de tratamento dos emblemas pois esta é uma questão muito sensível entre os três grandes.
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